Adufscar

Sindicato dos Docentes em Instituições Federais de Ensino Superior dos Municípios de São Carlos, Araras e Sorocaba

Publicado em 28.07.2017

XIII ENCONTRO NACIONAL DO PROIFES - FEDERAÇÃO: PERSPECTIVAS DO MOVIMENTO SINDICAL

O XIII Encontro Nacional do PROIFES – Federação debateu nos dias 27 e 28 do corrente mês temáticas importantes, não só no contexto da categoria dos professores do ensino superior, nomeadamente no que concerne aos desafios que se colocam ao movimento docente, como também a atual conjuntura nacional. Campanha salarial, carreira e aposentadoria, também foram temas de destaque, além de discussões relacionadas com o Plano Nacional de Educação, o CONAE 2018 e o financiamento da educação.

Confirmando o fato de que o PROIFES é um fórum lato constituído por uma variedade enorme de correntes ideológicas e políticas, enriquecendo dessa forma os debates e reforçando o espírito democrático do movimento docente, um dos destaques das discussões foi o questionamento sobre qual o direcionamento político e ideológico que o PROIFES deverá ter, balizando assim todos os sindicatos federados. Um dos pontos avançados foi o fato de que os professores tendem a discutir apenas assuntos de seu estrito interesse, deixando de se preocupar com os fatos que originam esses mesmos problemas, como, por exemplo, a corrupção que grassa no país, principalmente nos mais elevados patamares governamentais.

E as diversas correntes opinativas ficaram bem demonstradas através dos inúmeros documentos apresentados no Encontro e que foram devidamente congregados no “Livro de textos”. No documento/texto apresentado pelas professoras Luciene Fernandes, Danielle de Medeiros, Raquel Bezerra e Ricardo Carvalho (APUB Sindicato), foi dado destaque ao fato de que “a agenda neoliberal avança a passos largos e a perda de direitos historicamente conquistados pela luta da classe trabalhadora é uma realidade. Vivemos nas Instituições Federais de Ensino um novo e preocupante ciclo, com a redução e corte de verbas de custeio e investimento na Universidade. A política de Ciência e Tecnologia sofre ataques já denunciados pelas instituições científicas. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência divulgou recentemente, que no final de março deste ano o orçamento de custeio e investimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que exclui despesas com pessoal, foi limitado a R$ 3,2 bilhões para 2017, 44% menor do que havia sido estabelecido na lei orçamentária. Esse recurso é menos da metade do orçamento empenhado de 2014, que foi de R$ 7,3 bilhões”. Diante desse e de outros fatos, as autoras do texto afirmam que o movimento sindical tem consciência que o melhor caminho para o trabalhador é a organização e a luta “No processo de acúmulo de forças, o sindicato analisa a conjuntura para ver possibilidades e desafios e traçar estratégias. Hoje, há uma recomposição da classe que trabalha, com a inserção de jovens no mercado de trabalho e uma maior complexidade das relações entre as forças em ação, e, diante disso, é preciso gerar mais espaços que reúnam e formem aqueles que desejem lutar. Assim, é preciso combinar atos massivos de enfrentamento com trabalho de base: seguir fortalecendo a resistência junto às ações de frentes com pautas progressistas, como a Frente Brasil Popular; reconquistar as bases para o acúmulo de forças, incentivando os sindicatos federados na criação de núcleos articulados em rede; fomentar espaços de reflexão e de formação política (...)”.

Já no texto do Prof. Lúcio Olímpico Vieira (ADUFRGS – Sindical) o principal foco foi que a democracia está em jogo. “Um golpe foi impetrado contra o estado de direito em nosso país. Não verificamos nestes fatídicos anos pós-constituição cidadã, qualquer projeto ousado, consistente, estruturado que apontasse para o desenvolvimento da indústria nacional. Qualquer proposta séria de reforma política capaz de evitar o que assistimos hoje. Qualquer controle ao descontrolado sistema financeiro. Nesse cenário nada digesto, o movimento sindical se acaba. Se atrapalha, se confunde. A classe média, servidora pública bem formada e nutrida, se descobre como trabalhador assalariado. Recuperar a força mobilizadora depois de tanto tempo navegando em águas tranquilas e vantajosas passou a desafiar as novas lideranças de um novo movimento sindical que tenta se credenciar como porta-voz da esperança transformadora”. Lúcio Vieira acrescenta ainda em seu texto que há urgência em implementar novas tarefas, como, por exemplo, incentivar uma campanha nacional em defesa do PNE e defender a antecipação das eleições, entre outras medidas.

No texto do professor Roberto dos Santos da Silva (IFB), o destaque resumido foi para a resistência que deve ser protagonizada , talvez a médio prazo, ao desmonte que vem sendo promovido na educação e no país, acumulando forças e dar continuidade, intensificando o trabalho que vem sendo feito de manutenção e ampliação do diálogo e reforço das alianças “CNTE, CONTEE, FASUBRA, ANDIFES, CONIF, ANPAE, SBPC, UNE, UBES, CONAM, CMP, entre outras, e a Frente Brasil Popular, lutando por um projeto de desenvolvimento de nação, que inequivocamente dará o necessário destaque ao papel da educação, da ciência, tecnologia e inovação para o seu êxito e construção de uma sociedade mais justa, democrática e sustentável.

Finalmente, no que concerne aos textos apresentados no Encontro, destaque para o documento apresentado pelo professor Nivaldo Parizotto (ADUFSCar – Sindicato), onde é afirmado que o sindicalismo está passando por uma renovação em função de questões como empregabilidade, globalização de serviços, terceirização, e cada vez mais o uso de tecnologias que necessitam que se pense de forma diferente, mas que se mantenha o foco nas condições dignas de trabalho em todos os níveis, “O sindicalismo por Organização Local de Trabalho, algo que o PROIFES tem como proposta, objetivas resgatar o papel ativo do trabalhador na construção de uma militância que seja capaz de fazer uma leitura crítica da realidade, buscando transformá-la. Esta é uma forma que vai contra a hegemonia de atuação sindical por uma direção autoritária, independente da militância e das considerações que as bases propõem, que de fato, vão muito mais além das questões puramente econômicas. Acredito que o sindicalismo hoje deve procurar noivos caminhos para buscar uma militância mais ativa, desmistificando a imagem do sindicalismo do passado, em geral vinculada a greves intermináveis, protestos e badernas, sem desmerecer o que já foi feito e com eficiência. No entanto, o processo de enfrentamento hoje deve ser pensado de acordo com os novos tempos. Necessitamos repensar os objetivos, pois a sociedade mudou, renovar os ideais e princípios, para que possamos sensibilizar o cidadão, o sindicalizado ou aquele que se quer conquistar para se associar ao sindicato (...)”.

Em sua intervenção perante o plenário, o professor Aparecido Junior de Menezes (UFSCar) alertou para o fato de, embora o inimigo seja o governo, curiosamente determinada entidade sindical está tentando ressurgir no movimento sindical brasileiro, principalmente na área dos professores do ensino superior, com a firme intenção de se apoderar a qualquer custo do comando das AD’s filiadas ao PROIFES, estando para isso sendo patrocinada e financiada por alguns pequenos partidos políticos.