Adufscar

Sindicato dos Docentes em Instituições Federais de Ensino Superior dos Municípios de São Carlos, Araras e Sorocaba

Publicado em 29.07.2017

XIII ENCONTRO NACIONAL DO PROIFES – FEDERAÇÃO: PROPOSTA DA ADUFSCAR APROVADA EM PLENÁRIO

Quase no final da jornada de trabalho referente ao dia 28 de julho do XIII Encontro Nacional do PROIFES – Federação, foram apresentados e discutidos diversos documentos que, na sequência, foram votados pelo plenário. Merece destaque especial o texto apresentado e votado favoravelmente pelo Prof. Nivaldo Parizotto (Presidente da ADUFSCar – Sindicato), subordinado ao título “ Os desafios do Movimento Docente”, que a seguir se transcreve na íntegra:

“O Movimento Docente tem tido cada vez mais novos desafios, que ao longo do tempo têm se atualizado em função das demandas sociais e políticas. O pertencimento da classe trabalhadora por parte dos docentes parece que se estabelece como um deles e atualmente, no meu entendimento, o principal. Um dos motivos é a perfilhação político-ideológica alinhada com os partidos políticos, o que faz com que haja diferentes visões de inserção do movimento com aqueles que não compactuam com a linha política de quem esteja no poder naquele momento. Isso distancia os filiados ao sindicato da mobilização mais ampla e este sentimento de pertencimento vai se esvaziando.

Têm acontecido ofensas descabidas aos dirigentes sindicais por levarem em conta a democracia, ou seja, observar o que é o desejo da maioria, por intermédio de consultas on-line ou em urnas, de modo a afirmar o que se delibera nas assembleias gerais, permitindo desta forma a participação maior, mesmo considerando a dificuldade de debates mais acalorados de ideias quando nos encontramos em assembleia pessoalmente. Este mecanismo tem sido elogiado pela grande maioria dos colegas quando se visitam os departamentos e se estabelece diálogos diretos com os sindicalizados, mostrando que estamos num caminho correto. Isso faz parte de uma nova forma de se fazer sindicalismo sem ferir os mecanismos democráticos de decisão.

A questão é: como se enfrenta estas agressões e estes métodos e se estabelece uma agenda propositiva na interlocução com o governo? Como convencer os docentes do ensino superior e do EBTT a perceberem que o sindicato pode ser um médio de pressão efetiva na sociedade, principalmente na interlocução frente ao governo, demonstrando que há caminhos alternativos para enfrentamento da crise financeira que tem se abatido no mundo todo? Os sindicatos poderiam participar do processo de proposições alternativas para que se saia da crise política e institucional.

Paulo Freire nos mostra o seguinte texto que trago para nossa reflexão: “Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Se tomarmos esta reflexão a fundo, podemos ver isso acontecendo no movimento docente. Há uma tentativa de constrangimento político e social por parte das oposições, que não estão no campo das ideias, mas na agressão verbal e muitas vezes física dos dirigentes sindicais. Por estes e outros motivos, muitos dos professores se negam a participar inclusive de assembleias, pois se sentem constrangidos de emitirem suas opiniões e assim se isolam.

Devemos trabalhar fortemente para que esses tipos de comportamentos possam ser inibidos, por meio de denúncias de quem são os indivíduos que perpetram estas ações indevidas, pois dessa forma poderemos atrair os colegas que poderia voltar a frequentar as reuniões e assembleias, onde o respeito à opinião diversa possa de fato imperar. Portanto, devemos repudiar os comportamentos de desrespeito, a falta de tolerância e de ética que deveriam estar presentes sempre nas discussões. Devemos conduzir comportamentos de aceitação do diferente e manter num caminho inclusivo dos colegas que pensam de forma distinta politicamente dos nossos construtos, mas nem por isso devemos abrir mão da construção democrática no seu sentido amplo.

Neste sentido, a divulgação nas mídias sociais pode ser um aliado de grande valor para mostrar com clareza quem são os agressores, quais são as reais intenções deles e isso certamente aumentaria o sentimento de homogeneidade e unidade no movimento docente. A reafirmação do que ocorreu no último Encontro Nacional do PROIFES – Federação (XII), em que nossa posição de sindicatos independentes, plurais e suprapartidários, além da defesa da democracia de forma intransigente e repudiar todas as formas de violência à Constituição. Fundamental que ouçamos a sociedade civil e suas reivindicações e necessidades para que tenhamos foco na Universidade que pensamos, que possa atender a esta sociedade e a evolução da ciência, tecnologia e inovação.

Devemos pensar num movimento docente acertado no tempo atual, desmistificando a “tradicional universidade” por uma universidade comprometida com a transformação das estruturas sociais, econômicas e políticas do país, sem nos esquecermos que não temos uma “torre de marfim”, não detemos todo conhecimento, mas podemos auxiliar o país a sair da crise por produzirmos conhecimentos que permitam a evolução da ciência e tecnologia e desta forma proporcionar uma autonomia e independência.

Sejamos senhores de nossos caminhos com um papel de protagonistas de um novo sindicalismo, com aceitação das mídias sociais, com aceitação da votação eletrônica com o instrumento de integralização do processo decisório, tornando sempre e reafirmando que isso é, nos dias atuais, o exercício pleno da democracia. O PROIFES – Federação deve ser este protagonista, por meio de suas bases sindicais. Expandir estes paradigmas é um grande desafio.”