Adufscar

Sindicato dos Docentes em Instituições Federais de Ensino Superior dos Municípios de São Carlos, Araras e Sorocaba

Publicado em 05.11.2018

NA ARGENTINA - PROIFES DESTACA A LUTA DAS MULHERES POR POLÍTICAS PÚBLICAS DE IGUALDADE.

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O PROIFES-Federação participou ativamente do Encontro da Rede de Trabalhadoras da Educação da IEAL – Internacional da Educação para a América Latina, realizado em Buenos Aires (Argentina), de 30 de outubro a 1 de novembro.

A construção de políticas públicas a favor dos direitos das mulheres e o papel do movimento sindical no continente latino-americano foram alguns dos principais temas tratados no espaço da Rede de Mulheres, que busca facilitar o processo de formulação e implementação de políticas públicas com perspectiva de gênero em toda a América Latina, documentando e fornecendo subsídios às organizações sindicais que debatem esta temática.

O PROIFES-Federação se fez presente com uma delegação de quatro professoras, formada pela vice-presidenta do PROIFES, Luciene Fernandes (APUB-Sindicato), a diretora de Comunicação da entidade, Gilka Pimentel (ADURN-Sindicato), Geovana Reis (ADUFG-Sindicato) e Matilde Alzeni (ADUFSCar-Sindicato), que pontuaram os desafios da participação das mulheres no universo acadêmico e sindical, ambos ainda bastante marcados pela presença do homem nos espaços e nas relações de poder. O encontro contou também com a participação de delegações do Chile, Uruguai, Paraguai, Costa Rica, Colômbia e Argentina, tendo-se realizado na capital Argentina, na sede de CTERA (Confederação de Trabalhadores da Educação da República Argentina).

Segundo Luciene, neste encontro os principais temas compartilhados por educadoras de todo o continente disse respeito ao enfrentamento do crescimento da onda de violação de direitos com reflexos diretos na Educação.

A vice-presidenta do PROIFES questionou, em sua intervenção durante a mesa que analisou conjuntura da educação na região, qual a melhor estratégia a ser adotada para o enfrentamento das desigualdades de gênero e no preconceito contra as mulheres: “Qual a melhor tática? Radicalizar ou flexibilizar o discurso?”, indagou, lembrando que na Argentina não houve flexibilização do discurso, “e o governo de direita não precisou atacar as mulheres, gays, e outras populações socialmente fragilizadas, mas no Brasil sim.”

Já Gilka Pimentel ressaltou a misoginia presente em diferentes aspectos da vida social brasileira, em especial na política, lembrando os ataques que a ex-presidenta Dilma Rousseff recebia cotidianamente por ser mulher. “Durante todo o processo de impeachment ela era chamada de todos os nomes depreciativos, xingada e considerada descompensada e louca”, tendo destacado, também, o preconceito sofrido pela recém-eleita governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra. “Ser mulher na política brasileira tem sido muito difícil para todas, mas nós somos a resistência”, bradou.

Para Geovana Reis, o encontro foi bastante produtivo porque “entrar em contato com  várias trabalhadoras da América Latina, podendo conhecer suas realidades,  dificuldades e conquistas, fortalece nossa convicção da necessidade de nos mantermos na luta por igualdade de gênero em todos os espaços e principalmente nos sindicatos. Foi importante também para compreendermos em que pé se encontra a luta das mulheres pelo direito de decidir sobre seu corpo. Destaque-se a discussão acerca da necessidade dos sindicatos incorporarem a pauta dos direitos da mulher e pela igualdade de gênero.

Matilde Alzenir (ADUFSCar) chamou a atenção para os temas das políticas de gênero e educação sexual integral  no sistema de ensino da Argentina. Mesmo com essas políticas, o abuso sexual de crianças ainda é muito grande, segundo os relatos apresentados.

Encerrando as discussões e reflexões, a professora Luciene apresentou as ações realizadas pelo PROIFES - Federação através do GT direitos humanos, tais como: 
•Dois encontros nacionais sobre direitos humanos com destaque para a temática de gênero,  violência contra as mulheres;
•A  inclusão da pauta direitos humanos pela primeira vez como eixo temático do XIV encontro nacional;
• Em andamento, a pesquisa para levantar um  diagnóstico das relações de gênero, raça e sexualidade entre os professores universitários;
• Aprovação da mudança de estatuto para inclusão da Diretoria de Direitos Humanos.

(Matilde Alzenir)